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domingo, 30 de outubro de 2011

Vegetarianismo, por Chico Xavier


Dos Animais aos Meninos

Meu pequeno amigo:
Ouça.
Não nos faça mal, nem nos suponha seus adversários.
Somos imensa classe de servidores da Natureza e criaturas igualmente de Deus.
Cuidamos da sementeira para que lhe não falte o pão, ainda que muitos de nossa família,
 por ignorância, ataquem os grelos tenros da verdura e das árvores, devorando germens e flores.
Somos nós, porém, que, na maioria das vezes, garantimos o adubo às plantações
 e defendemo-las contra os companheiros daninhos.
Se você perseguir-nos, sem comiseração por nossas fraquezas,
quem lhe suprirá o lar de leite e ovos?
Não temos paz em nossas furnas e ninhos, obrigados que estamos
a socorrer as necessidades dos homens.
Você já notou o pastor, orientando-nos cuidadosamente? Julgávamo-lo,
 noutro tempo, um protetor incondicional que nos salvava do perigo por amor
e lambíamos-lhe as mãos, reconhecidamente. Descobrimos, afinal,
que sempre nos guiava, ao fim de algum tempo, até ao matadouro,
entregando-nos a impiedosos carrascos. Às vezes, conseguíamos
escapar por momentos, tornando até ele, suplicando ajuda, e víamos, desiludidos,
que ele mesmo auxiliava o verdugo a enterrar-nos o cutelo pela garganta a dentro.
A princípio, revoltamo-nos. Compreendemos, depois, que os homens exigiam
nossa carne e resignamo-nos, esperando no Supremo Criador que tudo vê.
As donas de casa que comumente nos chamam, gentis, através de currais,
pocilgas e galinheiros, conquistam-nos a amizade e a confiança, para,
em seguida, nos decretarem a morte, arrastando-nos espantados e semi-vivos à água fervente.
Não nos rebelamos. Sabemos que há um Pai bondoso e justo,
 observando-nos, de certo, os padecimentos e humilhações, apreciando-nos os sacrifícios.
De qualquer modo, todavia, estamos inseguros em toda parte. Ignoramos
se hoje mesmo seremos compelidos a abandonar nossos filhinhos em lágrimas
 ou a separar-nos dos pais queridos, a fim de atendermos à refeição de alguém.
Por que motivo, então, se lembrará você de apedrejar-nos sem piedade?
Não nos maltrate, bom amigo.
Ajude-nos a produzir para o bem.
Você ainda é pequeno e, por isto mesmo, ainda não pode haver adquirido o gosto de matar.
 Não é justo, assim, colocarmo-nos de mãos postas, ante o seu olhar bondoso,
esperando de seu coração aquele amor sublime que Jesus nos ensinou?

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Alvorada Cristã.
Ditado pelo Espírito Neio Lúcio. 11 edição. FEB. 1996.